Originalmente habitada pelos índios Tamoios , que a denominavam Piraguá (“água parada”) ou Sapopenipã (“lagoa das raízes chatas” em Tupi-Guarani), a Lagoa Rodrigo de Freitas - LRF foi o local escolhido pelos portugueses para instalação de engenho de açúcar - Engenho D'El Rei [edificação hoje ocupada pelo Centro de Recepção aos Visitantes do Jardim Botânico], após a expulsão dos corsários franceses da Baía de Guanabara (SEC XV). Em 1979, em homenagem aos índios Tamoios, foi instalada a escultura “Curumim” - do artista plástico Pedro Correia de Araújo.

A bacia da Lagoa Rodrigo de Freitas tem hoje pouca semelhança com o sistema aquático original. Seu espelho d’água possui aproximadamente 2,2 km², 7,8 km de perímetro, volume de aproximadamente 6.200.000 m3 e profundidade média da ordem de 2,8 m. Resulta da drenagem das águas da vertente sudeste da Serra da Carioca ( com 23.565.621 m2) com divisores de drenagem desde o Arpoador, cumes dos morros do Cabrito, Saudade, Corcovado, Alto do Sumaré, Pico da Carioca, Queimado, passando pela Mesa do Imperador, Morro Dois Irmãos, o Alto Leblon. São 3 os rios que correm nesse espaço: Rainha, Cabeças e Macacos. A Prefeitura do Rio de Janeiro define esse espaço como sub bacia Lagoa Rodrigo de Freitas, parte da Bacia da Zona Sul ( Instituto Pereira Passos) .

O rio Cabeça drena uma área de cerca de 1,9 km², incluindo parte da área do Jardim Botânico, nasce nos contrafortes do morro do Corcovado, dentro do Parque Nacional da Tijuca, e deságua no canal da Av. Lineu de Paula Machado que, por sua vez, desemboca no rio dos Macacos, no trecho da rua General Garzon. O rio dos Macacos possui uma área de drenagem de aproximadamente 7,2 km², abrangendo os bairros do Alto da Boa Vista e Jardim Botânico (FEEMA, 2006). Nasce nos contrafortes dos morros dos Queimados e Sumaré, também na área do Parque Nacional da Tijuca, sendo desviado em seu trecho final, na rua General Garzon, para o canal do Jockey. O rio Rainha nasce na encosta sul da Serra da Carioca, e drena uma área em torno de 4,3 km² , nos bairros da Gávea, Alto da Tijuca  e Rocinha, desembocando no canal da Av. Visconde de Albuquerque.

Na década de 70, frente ao avanço imobiliário e aterros na região, o prefeito Marcos Tamoyo aprova o PA 9548 delimitando a superfície de domínio do espelho d’agua da LRF (Decreto 130/1975) .

 

A partir de 1988, a Constituição Federal, no seu Artigo 225, Parágrafo 4º, define a zona costeira brasileira como Patrimônio Nacional e, segundo a lei nº 9.433/97, dois domínios foram estabelecidos para os corpos d'água brasileiros: (i) o domínio da União, para os rios ou lagos que banhem mais de uma unidade federada ou entre o território do Brasil e o de país vizinho; e (ii) o domínio dos estados, para águas subterrâneas e para as águas superficiais, fluentes, emergentes e em depósito no território de um único estado. Resta claro que a competência de atuação em áreas costeiras no Brasil, como no caso da Bacia Hidrográfica da Lagoa Rodrigo de Freitas se apoia na colaboração entre diversos atores.

 

Em 1990, o prefeito Marcelo Alencar promove o tombamento do espelho da LRF e cria a área de proteção do seu entorno, através do Decreto 9396/1990.

 

Em 2000, diversas instituições da sociedade civil abraçaram a lagoa, juntando cerca de 70 mil manifestantes, exigindo soluções para o problema da poluição dos recursos hídricos do município. No âmbito estadual, o movimento garantiu a implementação do Comitê Gestor da LRF (Decreto 26079/2000), e a criação do Parque Ambiental da Praia de Ramos com a construção do famoso “Piscinão de Ramos”. O comitê Gestor da LRF, pioneiro na gestão participativa dos recursos hídricos no âmbito estadual, inaugurou, por demanda popular, a arquitetura institucional a ser adotada nos demais comitês de bacia no estado. Em 2001 foi criada a Gerência da LRF, subordinada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, encarregada de promover iniciativas para recuperação, conservação e monitoramento da LRF.

Em 2002, foi instituído o Comitê Consultivo da LRF (Decreto n. 35487/2002) com praticamente o mesmo desenho do Comitê Gestor. Talvez por terem decorrido de movimentos populares, ambos os comitês da LRF, gestor e consultivo, reservavam 3 assentos para representantes de associações de moradores localizadas na bacia drenante da LRF.

Em 2005, o Decreto nº 38.260/2005 cria o Comitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara e dos Sistemas Lagunares de Maricá e Jacarepaguá - CBH-BG, entidade colegiada, de gestão descentralizada e participativa, com atribuições deliberativas, normativas, propositivas e consultivas de nível regional,  vinculado ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI-RJ) e integrante do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos. 

 

Em 2008, é firmando um convênio de cooperação técnica que transfere a administração da LRF ao Município que se encarrega da sua gestão, envolvendo a Secretaria de Meio Ambiente, responsável pelo monitoramento da qualidade da água, a Fundação Rio Águas, responsável pelo manejo das comportas e vistoria das galerias de águas pluviais que desembocam no sistema da lagoa e a COMLURB, responsável pela limpeza do espelho d'água e das áreas do entorno da Lagoa. Os objetivos desta gestão ambiental são a manutenção da vida aquática da Lagoa, a drenagem e conservação do entorno, de forma a preservar as condições de lazer e de acessibilidade de um dos principais pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro.

Em 2011, o Subcomitê do Sistema Lagunar da Lagoa Rodrigo de Freitas - SCSL LRF foi instituído, como parte do Comitê da Baia da Guanabara, pela Resolução CERHI Nº 63 em 2011 ( previamente aprovado pela Resolução CBH BG n° 07/2011). A AMALGA é membro do Subcomitê do Sistema Lagunar da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Comitê da Baía da Guanabara e convida os moradores  para  debate sobre gestão hídrica na Gávea através: do email amalga2000@gmail.com .